sábado, 25 de julho de 2009

Designada

Fui designada a viver perante essa loucura, capaz de ferir meus olhos e sangrar meus dentes, lembro-me daquela vez em que nada parecia tão normal!
E os sorrisos sorriram, por um instante de tempo pensei que fossem ser de verdade e pelo pequeno espaço de toda uma vida e outra tive a certeza de que seriam minha cura, cogitei estar sem cura, pois que aqueles eram tão falsos.
E pela segunda vez meus dentes sangraram, denotei o quanto eu era fraca e o quanto precisava de ajuda.
Vales, montanhas – tentei ultrapassar- contudo a terra que um dia foi tão pura e fiel derrubou meus pés, as pernas permaneceram fixas quando se deitaram no chão!
Gritei como um touro berrante, porém os touros, nem mesmo os bois gritam... tive de parar com mais uma farsa. Tudo já era falso, os sorrisos, a cura, a terra, o chão e até mesmo o meu grito.
Certeza? O que é isso?

Vaidade


Essa ferida que tenho é algo extremamente vaidoso
E quem se importa com nostalgia?
Essa coisa ridícula de sentimentos mal terminados
Amores mal amados
Confiança?
Escorre pela face essa coisa estranha que chamam de lágrima
E tenho alguns papéis sobre a mesa
Nada faz sentido
Quero gritar
Quem esta olhando? Não posso falar de meus sentimentos
Eu tenho apenas um amor mal amado e uma saudade doentia
E uma verdade mal contada
Tenho também um abraço caloroso e um beijo apaixonado
Um verso não terminado e uma vida...
Quero chorar
Quem pode arrancar de mim essa dor extrema?
Não quero sentimentos mentirosos

Recite

Busco no silêncio de uma voz que é muda para decifrar a minha dor!
Transito em um momento por um espaço de tempo que me deteriora por dentro
Um sonho é muito mais do que se deve ter, porém tenho apenas o mesmo
Sou uma fugitiva desse mundinho neoliberal, sou uma prisioneira desse egoísmo, sou uma exilada de meus pensamentos...
Sou recitadora da verdade.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Eu e Você

Você é o mais certo das horas incertas...
Você me faz tão bem...
e você me faz ser muito mais do que imagino ser...
Você é muito mais do q imagina ser, mergulho no teu sorriso sincero e sereno pra lavar minha alma...
e eu me apego as suas palavras de amor para limpar minhas injurias, que tão pouco me fazem um ser imperfeito, porém perfeita na vontade de poder te oferecer pelo menos um singelo sorriso...
Isso me basta, jamais negue essa luz que me ilumina...
e você jamais negue o alicerce que me faz sentir que sou um ser humano, suas palavras...
quando minhas palavras não tiverem mais e ausentes, lhe darei flores...
e eu sentirei o perfume das mesmas como uma necessidade de ter você sempre perto de mim...
sinta o perfume e feche os olhos, então aí estarei, a brisa que tocar o seu rosto nesse momento serei eu te beijando...
e essa mesma brisa voltará para levar-te o meu beijo de satisfação, por mais uma vez ter tido a certeza de ter te sentido de alma, já que nossos corpos se fazem tão distantes...
mesmo distantes você é a dona de todo o meu ser, coração, alma e corpo...
mesmo distante você é dono daquilo que tenho de mais valioso, as minhas verdades, os meus sentimentos e o meu amor...
com carinho e fidelidade zelarei pelo que é nosso deixando o amor dar as coordenadas ...
jamais vou me restringir desse sentimento, e apenas o coração me guiará pelos caminhos que me levarão até você...
contigo também vai o meu coração, pois à tempo é a dona dele...
e juntos nossos olhos se encontrarão para firmarmos o mais fiel amor...
assim amarramos esse laço que jamais se soltará...
eternizando esse sentimento que construímos juntos...
esse mesmo que podemos chamar de “am... or”
tE amO
te amo muito!!!


Autores:
Ellen Caroline Pereira
Tiago Arcego da Silva

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O bolo de queijo

Todo o dia sentava-me à beira do lago, levantava o vestido até a coxa e sentia sobre meus pés e minhas pernas, o frescor das águas cristalinas que eram aquecidas com o calor dos raios do sol de primavera.
No mesmo local cantava as cantigas que minha bisavó havia me ensinado até o dia do leito de sua morte. Assim permanecia até a hora do almoço, quando mamãe me chamava:
- Caroline! Venha minha filha, a comida está servida.
Eu respondia:
- já vou mamãe. Despedia-me do lago por alguns instantes, lavando minha face.
Mamãe me servira com muito carinho, e dizia para tomar cuidado e não queimar os lábios com a comida cálida do fogão a lenha.
Morávamos em um morro próximo a cidade, ao redor de casa tinham várias árvores, das quais eu implicava em subir para catar as formiguinhas. As flores que a primavera trazia, ornamentavam o jardim, do qual eu costumava me agachar os cantos para sentir o perfume das flores e observar suas mais diversas características.
Aos fins de tarde mamãe não se preocupava com meus desaparecimentos, pois sabia que se não estivesse no lago ou no jardim, estaria admirando o pôr do sol em qualquer lugar próximo, e ouvindo o canto dos pássaros, melhor música que eu conhecera depois das cantigas de minha bisavó.
Desde pequenina fazia esta estimativa com a natureza e comigo mesma, descobrindo o mundo de forma propicia para mim.
Eu tinha convivência somente com mamãe e algumas colegas de escola, por este motivo eu desconhecia a maldade humana.
Depois de completar meus quinze anos eu já não queria ir ao lago todos os dias, às vezes eu ia ao jardim, ver o pôr do sol não me encantava tanto, os pássaros já nem ouvia e as cantigas de minha bisavó eu havia esquecido. Ao invés de fazer o que era de costume, preferia ficar horas interrogando mamãe. Ela me respondia até onde era conveniente, muitas vezes eu não compreendia, contudo me calava para não deixa-la encabulada.
Porém havia um fato que me deixava com muito pesar, era só mencionar palavras sobre meu pai do qual eu nem sabia o nome que mamãe hesitava. Eu estava no direito de saber sobre minha paternidade, porém a única coisa que eu deduzia sobre o mesmo, é que tinha uma condição de vida estável, pois que mamãe não trabalhava e vivíamos com conforto.
Eu percebia a nostalgia nos olhos de mamãe ao tentar pronunciar qualquer coisa que fosse sobre ele, os lábios dela se estremeciam com a mais genuína vontade de me esclarecer, contudo ameaçava lágrimas até eu prometer não repetir a pergunta.
Quando mamãe ia para a cidade, eu a acompanhava, pois ela me dizia que já era uma mocinha e precisava conhecer pessoas novas. Modestamente, as pessoas me olhavam de uma forma diferente, principalmente os homens. Mamãe dizia que isso ocorria porque minha pele era tão suave quanto o vento em dias tranqüilos, que meus lábios eram vermelhos iguais as rosas de nosso jardim e meus cílios longos e enrolados realçavam ainda mais os mistérios de meus olhos negros. Certa vez um amigo dela mencionou que minha simpatia e pureza ao falar eram triunfais.
Mamãe começou a adoecer, durante um mês ficou de cama. Quando o médico obteve o resultado dos exames teve de me dizer que a doença de mamãe era incurável, pois seu cérebro já havia sido tomado pelas dores de um câncer.
Fiz de tudo para vê-la bem, e quando não me fazia em sua presença não hesitava chorar. Zelei e orei por ela até o ultimo instante, eu acreditava cegamente no milagre da ressurreição sem o acontecimento da morte, porém chegou o maldito dia em que me deixou, eram seus últimos suspiros e entre uma inalada e outra disse-me para ler o livro que estava na cabeceira de sua cama, e sua ultima frase:
- eu te amo e sempre estarei ao seu lado!
Ouvindo meu choro incontrolável deixou uma lágrima rolar e esboçou um sorriso, esta foi a sua despedida, lembro-me como se fosse hoje, a alegria de seu descanso e a dor de sua partida. Meu amor por ela é imutável e a lembrança daquele dia está intacta em minha memória como o pior dia de minha existência.
Eu não ousava sorrir, e começar a ler o seu livro de cabeceira foi uma das coisas mais difíceis, pois que ele me parecia descrevê-la, e realmente não fui forte para ler sequer duas páginas.

Após sua morte ia de vez em quando para a cidade, tinha alguns amigos que me forneceram vigor, precisava distrair - me, conhecendo pessoas sábias e cultas, muitas dessas foram alicerce para minha superação. E foram nesses estreitos laços de amizade que resolvi casar-me com alguém que se apaixonou por mim e me tinha com muito respeito.
Casei-me de forma tradicional, entrei na igreja sozinha, eu não tinha um pai que me pudesse acompanhar. Engravidei, e a filha que tanto amo se chama Manuelle. Eu tinha uma família, porém não era feliz, pois não havia me casado por amor e sim para fugir da solidão.
Tive de suportar a dor de meu erro, até o dia em que percebi que já era uma mulher, já era madura. Decidi por divorciar-me.
Não me interessava mais saber de meu pai, joguei tudo para o alto, sonhos e razões, pois eu havia perdido minha pureza que era minha maior virtude, casar-me com alguém que não fui capaz de amar me envergonhava, e dessa vida o único feito que me orgulhara era minha menina. Eu vivia perseguida pelo temor de que minha filha sofresse as conseqüências de meu ridículo ato.
Enfim, estava decidida,
Chamei um advogado até minha casa para resolver os papéis da separação e sou surpreendida pela presença de um homem chamado Paulo, robusto, alto, olhos verdes e pele morena, com um olhar tão humilde e sincero, um sorriso que envolvia toda a sua graciosidade em termos de beleza e simpatia. Tão pouco pude perceber que ele também me olhara, e fez um comentário:
- sua inocência é encantadora, seus lábios são tão vermelhos quanto as flores do jardim e sua pele é tão suave quanto o vento em dias...
Eu o interrompi:
-... em dias tranqüilos?
- isso mesmo. E me perguntou esboçando aquele sorriso.
- alguém já havia lhe dito?
- sim, minha mãe...
Me descreveu da mesma forma que... fiquei sem reação diante de seus comentários, ele quis me pedir desculpas pela ousadia, porém calei seus lábios com um delicioso beijo. Incontrolável era a fúria da mulher que passei a ser na sua presença, perdi toda a vergonha que me aninhava em tristeza para transformá-la em uma vida cheia de graça e alegria.
E descobrimos juntos que o amor existia, ele ama minha filha como se fosse um fruto de nosso amor, aliás com ele eu descobri o que era fazer amor, pois até então eu só conhecia o prazer. Criei coragem para ler todas as páginas do livro, e fui apanhada subitamente com tudo que ali permanecia escrito.

Porque você não me deu a alegria de ter uma presença masculina em minha vida? Uma presença qual pudesse se dirigir ao altar comigo ou me abraçar na hora da morte de mamãe? Você seria a única pessoa que entenderia tanto quanto eu como dói à falta dela.

O livro foi minha mãe quem escreveu, era a letra dela traçada em linhas que revelavam sua impressionante história, foi o livro que considerei mais sublime depois da Bíblia, o único lugar que possuía a resposta de minhas indagações, que haviam sido esquecidas até então. Ela teve vergonha de me revelar que amou um homem casado, ela teve a humildade de me poupar, e sofrer sozinha uma vida inteira por alguém que já possuía família.

Porque você a abandonou?
Não é justo que dois corpos preenchidos de amor na alma tenham de viver separados pela simples lei que os humanos impõe.
Tenho pena que você tenha priorizado em sua vida a reputação e não a felicidade.

Mais saiba que a casa é a mesma, ela já não se faz presente, porém basta olhar para mim e sentir sua presença, pois que tenho os olhos negros iguais aos dela, e cheios de mistérios. Não era assim que você a descrevia?
Tenho um coração que aprendeu a amar de novo, e espera pelo abraço daquele que se chama pai.
Você é única pessoa que me falta dizer te amo.

A fachada da casa mudou de cor, porém o caminho não mudou de rumo, basta seus passos se apressarem, pois meu coração esta ansioso por conhecer esse homem que é um quarto de meu ser.
Espero pelo dia em que você virá, e quando você chegar vou pôr água esquentar e preparar seu chá preferido e colocar o bolo de queijo para assar.

Obs: esta carta foi enviada com o endereço que estava no livro, não se sabe se ela chegou ao destino, nem mesmo se o pai de Caroline ainda esta vivo, porém todas as tardes após Paulo fazer o fogo, ela coloca a água esquentar no fogão à lenha, enquanto isso Manuelle a ajuda preparar a massa do bolo de queijo, pois sua mãe revelava no livro que era o preferido de seu pai.



Autora:
Ellen Caroline Pereira

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Minha dor


Minhas lágrimas secaram, pudera eu encontrar mais algum liquido em meu corpo que me fizesse sangrar os olhos novamente...
Foram tantas as vezes que eu pensei ser fácil superar a mim mesma, foram tantos os dias que decidi mudar...
E hoje eu aqui trancada com minha própria tristeza, afogada em mágoas inúteis, detonada na saudade que só me traz boas lembranças, detonada nas lembranças que me fazem ter esse sentimento chamado saudade.
Eu fui tão cruel e fria comigo mesma, jamais me permiti ser eu de verdade...
Tantas foram as vezes que sorri e no final de cada gargalhada gostosa e escancarada que dava... sentia uma enorme vontade de derramar lágrimas....
Tantas foram as vezes que tentei me convencer de que os momentos voltam e com eles trazem a alegria que perdi naquele instante ...
Muitos foram os momentos que desejei para sempre, poucos são aqueles que esqueci... e realmente nada é certo, nada é errado, tudo é tudo e o nada pode ser simplesmente nada...
A minha pior batalha é lutar contra aquilo que esta dentro de mim, minha maior decepção é não saber ser.... Meu maior medo é de nunca vencer... minha maior fúria é ser inútil, meu grande erro é descobrir o que sinto e mesmo assim não saber o que desejo...
Vem e diz para mim...
Vem e me abraça...
Tenta por um instante sentir minha dor e me diga palavras que mude, que supere, que designe algo de bom...
Tenta por um instante ser eu..
E saiba que a dor é conseqüência de sua insegurança, que a magoa você deve de guardar das palavras e não de quem as disse... que o amor você deve de ter pela alma e não pelo corpo que depois envelhece... sendo eu descubra que não existe nada nem ninguém que irá substituir aquela pessoa que você ama, nada vai ser o amor que você deixou de ter, nada vai tapar o buraco na alma de quem não disse, de quem não é.... nada é capaz de tornar possível a utopia que se é pouco desejada... o nada é simplesmente o nada, porém pode virar simples conseqüência de seus atos e dessa forma você acaba se tornando um nada, um nada que não foi capaz de sorrir e experimentar aventuras, um nada que desconheceu o amor, aquele merda que não curtiu... que não construiu sonhos, que não foi capaz de pedir perdão... aquele nada, que nada viveu
Por isso prefiro viver na dor do que sou por ter feito, sido e tentado e além de todas as perdas continuar sendo, do que viver na dor de não ter feito, de não ter arriscado, para quando meu corpo virar carcaça eu descobrir que minha alma é vazia...
Vivo dessa forma na dor do que fui e não na dor do que podia ter sido.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Sábio Coração Incerto

As vezes eu gostaria de estar com a luz apagada e ter um abajur ao lado de meus escritos, onde eu pudesse ler sem que ninguém me incomodasse, nem minha própria mente que é tão ocupada com esses meus problemas tão normais.
Aquele dia em que sorri e descobri amigos de verdade, aquele momento em que chorei com a dor da saudade, aquela revolução da qual eu gostaria de ter feito parte!
Sorrir, é tão bom sorrir quando se tem algum motivo!
É tão magnífica a arte de poder ser feliz!
Sonhos estão implantados em meu plano, mais eu já nem sei mais o que é um plano!
Nem me dei conta do quanto sou capaz de amar, não percebi em momento algum o que me faz viver, quero argumentos, busco palavras, intensifico ideais, tento fugir dessa saudade, mais não consigo!
Corro para escapar desses importunos, mais sou tão fraca diante da dor, que qualquer sorriso se torna mais forte frente a minha pessoa!
Minha alma tão completa de tantos carinhos que por diversas vezes tentei fazer, porém, minhas mãos não permitiram...
E agora tento através de gramática declarar minha verdade que é tão frustradora quanto eu!
É tão sabia quanto meu ser, e tão incerta como a minha vida!!!
Indecisa igual minha cogitação e tão notória quanto minha insegurança.
Minha verdade é tão capaz a ponto de provar que ela existe, mais ela é tão cruel que mostra o inverso!
Quem de nós pode julgar um coração que ama?
Quem de nós pode julgar um coração que preza princípios de liberdade?
Qual ser humano pode condenar um coração que sente saudades?
Quem de nós acredita nos conceitos de um coração que simplesmente sonha?
Quem de nós pode julgar um coração que busca na simplicidade a alegria em estar vivo?
Queria intervir aqueles que condenam um coração simples que por diversas vezes sofreu paradas, quase sem volta, porém resistiu porque nesses momentos ele pode encontrar o mais perfeito dia, a flor mais perfumada, a melhor palavra, o sol mais quente a chuva mais molhada, o sorriso mais branco, o olhar mais sincero, a água mais cristalina, o morro mais verde, o aperto de mão mais forte, o abraço mais caloroso o beijo mais beijado, o carinho mais bendito!
Neste momento ele pode considerar bom qualquer abrigo, ele não reclamou de nada e esqueceu qualquer tipo de maldade, ele encontrou palavras em lábios mudos, movimentos em pernas paraplégicas, vitórias nos grandes perdedores, ele colocou luz naquele abajur que ainda não existia ao lado da cama, percebeu que é amado e assim reanimou as paradas que por diversas vezes o impediu de ver o quanto a vida nos prega peças, e que esses são pequenos testes, porque você é feliz, contudo você é tão apegado nas coisas do dia a dia e nos problemas, que não percebe o quanto pode aproveitado nas pequenas coisas da vida..

Autora:
Ellen Caroline Pereira