domingo, 1 de março de 2015

Noite vazia [de número três]

são quase sempre tão iguais,
arrancam as energias
potencializam as angustias
estremecem o sorriso
abalam os sonhos
surtam o coração

Contradição
Reflexionam as fraquezas
Resgatam a história
Buscam racionalidade
Abarcam a sensibilidade
Constroem outras possibilidades.

Intermináveis
Nostálgicas
Reduzidas
Bonitas

Noites Vazias de Noites
Vazias de noites
Noites de
Noite vazia

A dialética já dizia!.

(Ellen C.)



segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Aos camaradas, companheiros de luta!

Encontro de mim um tanto só:
A nitidez do in-nítido
A lucidez do in-lucido
A loucura da sanidade
Talvez a insanidade da idade!

Um pouco do que ficou pela travessa
Muito do que deixei lá no que chamam de 20 
Um resto do que perdi da semana passada
Uma estufada de peito do riso que se foi 
na próxima noite.

Perco de mim um tanto junto:
O medo das armas que apontam 
A tristeza pelos não convictos
A angústia pelo não sabido
A destreza do não-grito!

A ansiedade pelo não visto
A imaturidade pelo não pensado
A saudade pelo não vivido.

Para perceber que só, eu encontro um eu menos preenchido
Para a alegria de junto, encontrar um eu coletivo que se confunde dialeticamente
com esse projeto tão bonito!

sábado, 20 de dezembro de 2014

Ao

Tu que chega assim,
De um jeito meio torto
Um tanto tímido
E me enche de carinho

De poucas palavras
Ousados olhares
Desinibidos beijos

Dos abraços os mais intensos
Dos toques o mais desejado
Do deslizar o mais certeiro

Não sei explicar o que é,
mas tens me arrancado grandes sorrisos.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Pôr título (formalidade)

Ouço a música no timbre do carioca
Me lembra samba, o que pode ser, o que quero ser
Sim, poderia eu ser um samba,
porque samba é poema, é dança, é cor, é povo.
Porque não poderia querer eu o ser?
Mais não sou um samba

As vozes permanecem
Agora me sinto cadeira
Emperrada no chão,
Nada a fazer.

Depois me sinto uma noite
Noite sem lua, com umas chuvas, uns versos
Apenas mais uma noite.
Pode ser uma noite de dia.

Por mais nostalgico que pareça, ainda não deixei de querer ser samba
Afinal, o mundo não se move apenas no que sinto.
E esse puto mundo é preciso mudar.!



do meu íntimo

Quero me trancar
Ficar até quase sufocar
Afogar naquilo que sai de mim
Morrer
Depois
Viver

Quero ir,
Gritar até o fim
Gozar até dizer chegar
Amar na noite da peleia

Digo, da verdade dos desejos mais íntimos
Do prazer que não tenho sentido
Do prazer que pude sentir
Do sorriso que fez isso comigo

Amo a paixão mais ridícula
Amo o que não conheço

Amor contraditório, paixões sem graça, sexos vazios.
Amor que transborda, paixões que me crescem, relação sexual causal com carinho!

Abandono

Abandonada no meu eu
Do próprio sentir que perdi
Daquilo que sonhei e nunca pisei

Abandonada nos meus medos
Medo do corpo que é e já me é estranho
Da forma que o modela
Do confundir-se com o estapeado
De misturar tanto até ficar daltônica

Medo do abandono de mim mesma?
Das contradições que enlouquecem
Das paixões que não amadurecem
Dos amores quando não crescem

Medo do que sou quando me vejo ou não
Gritando tão eternamente a mesma coisa
Da busca incessante do que não existe

Abandonada no eu de loucuras que habito!

Iria

o som que me leva pra onde gostaria
o vento que me toca do modo que me acalmaria
a página em branco, onde escreveria
o livro do qual viajaria
a cama que me descansaria
toda impossibilidade, para tudo que "iria" porque nem sempre essas coisas dão certo.