sábado, 7 de novembro de 2015

Ajeit-ando

Gosto do desfecho
Da perda do eixo
Ludibriar sentimentos
Perder de vista o discernimento
Me sinto (des)cabida
numa sociedade medida
(limitada circunscrição)
Dou empurrões
Busco sucessões:
de toques
de (a)braços
de (entre)laços
Dá-se um jeito
Dá-se amor
Dá-se um beijo
Um mundo é pouco
para os
"eus" sem baluarte!
A dialética do "render-se"
A soma dos somos
Sem receios do
poder a vir a ser.
Sem medo de sentir!
Da entrega dissimulada
Dos jogos (des)feitos
Da não paciência pra
determinados efeitos.
(Sobre)viver às trocas
transpassadas
(Co)habitar o encontro
com o alvoroço
Sentir-se forte com
últimos e próximos
sorrisos capitulados
Dar-se ao outro (!):
e
sem restrições demasiadas
sem presença disfarçada
sem mistificações do corpo
sem dúvidas do pouco
Desacorçoadas pernas
Antes da in-compreensão
da afeição
e o marco da contradição.
Ellen Caroline

Divo

Entre uma dose e outra:
A tua imagem
Sentia a dança
A lembrança do chão
Do vão!
Do não-são das noites com teu brilho!

Um vácuo
O desespero
Menos pessoas na roda
Cadê tu e os novos nomes?

O acordar do próximo dia
O compartilhar dos amores, das dores,
das aventuras! 

O cessar do choro salgado que fica 
quase amargo e parece que não sai.


Algumas coisas jamais farão o mesmo sentido.
Os dias seguem sem a presença da cor que davas pro mundo
Mas com as marcas de tudo que fostes capaz de colorir.

Ellen Caroline

A não-despedida

Chega pra lá e deixa disso, 
Vem me contar mais uma história.
Senta aqui comigo,
Ajuda a bagunçar meu quarto.

Vamos escolher a roupa dessa noite?
Pode ser de touca,
Sapatos amarelos,
Porque o resto tá sem cor
E é cor que combina contigo.

Deixa dessa história de cortar o cabelo,
Esses cachos caem bem pra você
Fica no estilo
Ainda mais divo,
O nosso "sarara criolo"

Prometo:
Não colocar mais Mart'nalia
Levantar pra te fazer o café na cafeteira italiana
(falhei dessa vez)
Parar de te apressar pra sair de casa.

Te esperaria chegar daqui uns dias
Saberia por onde andas
Sorriria de novo contigo

Sinto tu tão vivo em cada canto que estou
Viva os risos que trouxesse pra minha vida.
Te carrego no coração,
Não vou me despedir de você,
Tu é intenso demais pra isso.
Emoticon heart Arnaldo Emoticon heart

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Lambuzar de vermelho


Essa relação da subjetividade,
E a maldade da individualidade (.)
Lambuzada a boca de desejos e prazer(ex),
De fazeres e dizeres (.)

Tampadas as pernas pelo tom vermelho,
E quanta(s) gente com as pernas destampadas?
Perdeu-se na intelectualidade a verdade sedimentada,
Ou a sede inventada, da intelectualidade formada?
Mais uma vez se lambuza no abuso do não feito,
Ou será o pensamento vacilante um efeito?
A besteira do entreter das palavras que nada parecem dizer,
Mais confortável entreter do que, de fato, dizer.
Registros:
De gentes que hoje latejam a parede do estômago (não têm o que comer)
De gentes que veem gentes morrer (nos morros, por negro ser)
Das gentes meninas, raparigas, sapecas (mulher é um “pecado” gemer)
Das gentes que trabalham (as máquinas engolem, como socorrer?)
Das gentes que choram (o riso foi tragado não se sabe pra onde correr).
Lambuzar-se, uma vez mais!
Lambuzar-se da vontade para além da subjetividade
Lambuzar-se, não por vaidade,
Lambuzar-se de vermelho
(pra transformar a realidade).

(Ellen Caroline)

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Boemia de sentimentos!


Com o coração meio frouxo
Se entrega pros sorrisos que chegam soltos.

Sem desconfiança
Arroja pra uma esperança.

Nunca retornam esses desejos,
Mas guarda na lembrança aqueles beijos.

Pra que mais que a entrega em braços enrolados?
Quando precisamos mesmo é de um corpo extasiado,
de uma troca abundante – mesmo que por instantes,
e por fim, do sono serenado.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Trabalhadora

Trabalhadora é assim,

Passa desapercebida
[...] Nas ruas [...]
Carrega nas várias sacolas
As dores de uma vida

Em uma delas a nostalgia dos abandonos
Noutra, as lembranças da infância sofrida
A mais pesada, a do machismo que a persegue
em todas as esquinas
No carrinho de mão a exploração,
juntado a toda a opressão

Trabalhadora é assim,

Com as sacolas cheias continua a caminhar
Passos firmes,
Olhos erguidos
Braços falidos
Abraços ainda aquecidos

Trabalhadora é assim,

Com as sacolas cheias continua a caminhar
Dentre elas algum sonho perdido,
Ao chegar em casa fica no fundo a procurar
Talvez de algum filho se formar
Ver o neto aniversariar
no fevereiro que vai brotar

Trabalhadora é assim,

Escuta as mesmas palavras de ordem
Trabalhe!! Trabalhe!
Mas não apenas na fábrica
Em casa, ao chegar, mais uma vez:
Trabalhe, trabalhe!
O Filho chora, o neto chame, o marido abusa

Trabalhadora é assim,

Ah, as trabalhadoras
A trabalhadora mulher mãe,
A minha mãe mulher trabalhadora.

Trabalhadora é assim,

Não luto pelo fim do machismo só na minha vida,
Luto pelo fim do machismo na vida de todas as trabalhadoras, mulheres, mães.

Não luto pelo fim da sociedade de classe pelo simples fim da minha exploração,
Luto pelo fim da sociedade de classe por toda classe, com toda classe, sendo classe.

Luto pelo fim dessa mão dupla de opressão e exploração,
Luto para que as trabalhadoras carreguem em suas sacolas
muitos sonhos
Luto sim, por uma sociedade sem exploração.

Dedico a ti minha mãe, e todas as Joceli(s), representando todas as trabalhadoras e trabalhadores do mundo que ão de se unir para essa sociedade mudar!

(Ellen Caroline)

terça-feira, 21 de julho de 2015

24 em Sanca

Desses 24 que completei no meio do debate
Ouvia palavras de ordem, as pessoas iam pro embate
Contra os corte, queremos condições de trabalho
Era o que dizíamos nós!
Faixas, cartas, revolta!
Estamos ou não indignados?!
A voz da bonita gente ecoava: chega desse descaso!

Assim se completa mais um ano,
A pergunta: o que eu fiz até os 24?
No meio do caos que está colocado?
Nesse vai e vem de emoções,
sentia o amor de São Carlos!

Confusa demasiada, só podia entender:
Esses cortes temos que reverter.
Assim completei mais um ano:
Indignada com o mundo
Compartilhando os sonhos
Com esperança
Cheia de bonita gente: as de longe e as de perto
Com o coração transbordando,
perdendo uns pedaços no meio dos percalços,
Mirando a luta em todos os passos.  

(Ellen Caroline).