domingo, 23 de setembro de 2012

lembranças

ah, eu devo querer alcançar um infinito que não existe
e quero fazer uma poesia nada perfeita...
queria voar na água e nadar no céu.. 
nesse lindo dia de sol... lembro-me da recente infância... do café com sal...
do casaco rosa... da varanda com a vista para paisagem mais extraordinária que conheci, aquela que pude brincar quando criança!

Lembro do desenho dos morros, do carrinho de rolimão... das folhas secas..
da casinha na árvore que sempre sonhei..
da salada de frutas apenas com goiaba e açucar...
da lagoa e dos peixes imaginários..

Com o tempo alguém disse-me que não poderia mais brincar na patrola do Tonhão, nos fins de tarde, como sempre fazíamos para nos esconder..
Depois de certos dias e agarrada a uma idade parei de banhar-me nas cachoeiras que surgiam das chuvas...

Alguém resolveu cortar as árvores de goiaba e secar a lagoa...
os morros já não tinham o verde de antes...
e a humanidade construiu sobre minha infância feios cinzas de concreto!


(Ellen Caroline)

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

quem me ensinou a ser assim?

a minha mãe é a pessoa mais maravilhosa desse mundo. Quando me emociono ao falar de minhas angustias ou de minhas alegrias, ela vibra comigo como se fosse com ela.. e com todas as minha revoltas, ela me olha e diz que ta orgulhosa de mim.. sem eu ter feito nada. Ontem deveria ter dito a ela "que com certeza tenho esses sentimentos porque ela me ensinou a amar" eu descobri que mesmo sem saber, minha mãe é revolucionária da luta cotidiana, que também é capaz de se indignar com as injustiças do mundo, e com certeza o amor incondicional a causa, é parte do amor incondicional que ela me dá todos os dias!  

vontade de gritar pelo mundo

explode dentro de mim essa vontade de outro mundo. Depois que descobrimos a realidade que se desvela atras da pintura maquiada do capitalismo, digo que é impossível ser a mesma pessoa... Diria que fechar os olhos para a existência de classes é agredir a possibilidade de mudança! Penso que deveríamos ser um todo, cheios de força para lutar..

domingo, 17 de junho de 2012


SUBSIDIO: PARÓDIA DO 11º FECAN DA PASTORAL DA JUVENTUDE DA DIOCESE DE BLUMENAU.


"Educar para chegar a Civilização do amor"
           

“Ou os estudantes se identificam com o destino de seu povo, sofrendo com ele a mesma luta, ou se dissociam de seu povo e, nesse caso, serão aliados daqueles que exploram o povo."
(Florestan Fernandes)

O tema escolhido para a Paródia do Festival da Canção – FECAN tem como base a Semana do Estudante de 2012. A partir desta atividade permanente da PJ Nacional, delimitamos o assunto que ficou definido como "Educar para chegar a Civilização do amor". Assim sendo, este texto tem por objetivo, subsidiar os grupos de jovens na construção da Categoria Paródia, apontando possíveis debates que podem “aparecer” na construção das letras.
            Quando falamos em educação, nosso debate pode tomar diversos rumos. Um deles é pensar em como se dá a prática do educar. Existe uma relação hierárquica entre professor e aluno, na qual o estudante, por vezes, é simples objeto de obtenção de conhecimento. Contudo, se partirmos da perspectiva de Paulo Freire, ensinar não é a transferência de conhecimento, e sim a troca de conhecimentos, onde professor e aluno ensinam e aprendem ao mesmo tempo. Neste sentido, é primordial esse debate, pois à medida que os estudantes ensinam e aprendem eles também criam, e ao criar, se formam enquanto cidadãos críticos. A verdade é que a educação ainda serve como instrumento do Estado, na ideia de reproduzir cidadãos que se enquadrem num padrão, e não de que os estudantes tenham uma postura crítica, questionando a realidade.
            Além das dificuldades enfrentadas no caráter pedagógico, outros fatores impedem uma educação de qualidade, relacionados às diversas precariedades, como: falta de profissionais qualificados; baixos salários aos professores; infraestrutura inadequada (muitas vezes essas não comportam o número de alunos, ou mesmo, não são adaptadas às pessoas com necessidades especiais); falta de 2º professor em turmas que têm alunos com necessidades especiais, entre outros.
            Além desses aspectos, outro fator intrigante é o modo como se dão as relações sociais nos ambientes escolares. Nestes espaços as desigualdades sociais estão presentes e se refletem nos modos de socialização entre os próprios alunos. Muitos são excluídos dos grupos de amizade por fatores econômicos, de ordem étnica ou cultural. Para tal fator não existe “responsável”, pois este é um problema de ordem estrutural – ou seja, resultante da forma qual a sociedade se organiza - no entanto, a partir do momento que se trabalharem essas problemáticas dentro dos próprios ambientes escolares, certamente pode haver uma mudança nas relações.
            Ao falarmos em educação, não podemos deixar de lado a dificuldade de acesso ao ensino superior, mediante as poucas universidades públicas e consequentemente ao número limitado de vagas, inviabilizando a “entrada” da população de baixa renda - considerando também de forma crítica -  os critérios para o processo de escolha, que limitam o saber a meras “provas”, desconsiderando todo o contexto que o indivíduo vive, bem como, a base “capenga” que temos nos ensinos fundamental e médio.
            Talvez, um dos grandes nortes seja reivindicarmos uma educação pública de qualidade, que proporcione aos estudantes a possibilidade de criar e reinventar, de serem protagonistas do espaço de ensino, que ofereça a estes além do que está disposto na grade curricular. Não podemos mais admitir uma educação que prepare apenas para o mundo “profissional”, temos que ousar por uma educação que instigue a constante descoberta do saber, que vai muito além do saber profissional, abrange a cultura, o debate, os espaços de trocas de ideias...
            Por fim, questionamos qual educação queremos? É esse modelo educacional que contribuirá para que alcancemos a Civilização do Amor? É necessário indagarmos sempre, e ter plena consciência de que uma educação despida das situações apresentadas pode ser o caminho para alcançarmos um mundo mais humano. É na opção pelos pobres que traçamos nossa caminhada de Pastoral da Juventude, e ao indagarmos a estrutura vigente, pensando possíveis mudanças, nos tornamos protagonistas para construção de uma nova realidade. Educar para a Civilização do Amor, é um dos meios mais humildes de se alcançar essa utopia que alimenta nossa caminhada, no entanto, só será possível a partir do momento que enquanto estudantes, ou “pejoteiros” unirmos forças para alterar as condições impostas pelo sistema que vivemos, tão presente na vida da nossa juventude, que quer, sonha e luta por dias melhores, pois que, seguimos o Cristo que questiona, e não fica indiferente frente às injustiças sociais.


Pastoral da Juventude da Diocese de Blumenau
Escrito por: Ellen Caroline Pereira
Blumenau, junho de 2012.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Era para ser simples

eu queria que ele tocasse uma música só para mim... 
eu queria que me desse uma rosa bem vermelha do jardim, naquele dia que já passou...
eu queria uma carta escrita a mão, em uma folha de papel amarelada para me relembrar dos velhos tempos que não vivi...
eu queria uma poesia feita em um rascunho no cantinho do papel...
é tão simples, eu só queria as coisas mais simples que me fariam muito feliz se acontecessem.
Mas como posso ser tão egoista.. se você não quer, como posso querer? Então penso que nossos amores, mesmo sendo nossos amores nem sempre são as pessoas quais vamos estar apaixonados o resto da vida... Independentemente o amor é mais importante.. e sei que sempre vou te amar.



(Ellen Caroline)

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Afinal, a luta não é a mesma??


"Se lutar é preciso, lutaremos! O que não se pode é perder a sensibilidade do porque lutamos! É fundamental que nossos princípios sejam guiados pelo bem maior que é a luta de classes, e jamais pelas convicções pessoais: do que cada qual acha que é melhor! O respeito pelos companheiros é essencial, pois nessa luta estamos para somar e não desconstruir... Dessa forma, penso que, a realidade é fato, a contradição entre capital x trabalho existe e é expressa diariamente na vida de um povo que sofre e vive essa desigualdade... O que nos resta é travar uma luta unica, guiada pela causa, apenas pela causa!!!!!!!!!!!!! "

  


(Ellen Caroline)"

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Onde está nossa primavera?


modalidade de Discurso / Técnica utilizada no curso de Retórico com Prf.º Saut - CREIA


Tenho a alegria de lhes trazer o pensamento de um magnífico poeta, afinal, mais do que isso, o maior revolucionário da América Latina. Ernesto Che Guevara lutou pela causa movido por sentimentos de amor, e em meio suas caminhadas, nos deixou pensamentos, que se tornaram inspiração para os que acreditam em uma sociedade mais justa. Ele afirma que “os poderosos podem deter uma, duas, ou até três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera”.
 Este pensamento reafirma a força do povo. A luta social deve estar calcada na utopia de cada revolucionário, contudo, estes devem construir a revolução juntos, através da coletividade. Não basta um querer individual, afinal, a burguesia tem boas ferramentas para se manter no poder e cooptar a população. Por tanto, o que nos cabe é proliferar a ideia do bem comum, para que o povo lute por seus interesses e acredite no potencial desta luta. Um operário sozinho não faz greve, no entanto, toda uma fabrica parada, dá prejuízos ao patrão. É preciso que todos abarquem esse sentimento de mudança, que sintam essa vontade pelo bem comum. Pois que, se queremos uma justa distribuição de renda, acesso a saúde, a lazer, se pensamos na educação para todos, na defesa de direitos humanos e ambientais, temos que ter a plena consciência que só o ocorrerão com um novo modelo societário, esse modelo será vigente apenas no dia que o povo tomar consciência de sua importância e por ele revolucionar, ações isoladas não mostram resultado. Caso continuemos com o sistema capitalista, teremos apenas retrocessos, pois guiado pela lógica neoliberal, o Estado vai continuar privatizando os serviços públicos; a educação nunca será de acesso a todos; a criminalização irá proliferar por falta de opção; caso não façamos nada para mudança continuaremos assistindo de braços cruzados a guerra que é o cotidiano de nosso povo, com péssimas condições de trabalho e baixos salários; com crianças passando fome, sem acesso a moradia e lazer. Impossível? Isso é o que a hegemonia fala. A verdade é que quando o povo organizado entra em cena, eles se sentem ameaçados. Há quem diga que não. Mas então questiono, se não é verdade porque usam da repressão quando o povo vai para as ruas? Por que tivemos ditadura militar? Bom, se a coletividade não tivesse força, certamente não teríamos a revolução francesa, em torno de 1700, onde os burgueses – na época explorados pelos feudais, travaram uma luta que os tirou da condição de explorados. Se a maior arma contra o capital não fosse o povo, com certeza a Comuna de Paris não teria acontecido - os proletários não teriam tomado o poder de um país.     Leonardo Boff, quando lutou pela teologia da libertação, era  um ser questionando a igreja. Posteriormente a teologia da libertação se tornou um movimento, e certamente se todo o clero tivesse com ele no início de sua luta, ele não teria sido expulso da igreja. Concluo meu discurso na esperança de que todos reflitam sobre essa força que é o povo, e para instigar o pensamento de possíveis revolucionários, trago Karl Marx, qual afirma que “uma ideia torna-se força material, quando ganhamos as massas organizadoras”.       




(Ellen Caroline Pereira)