domingo, 14 de setembro de 2014

Quero Samba! Quero Sambar!

Quero me estranhar no emaranhado do corpo
Transcender no calor do vento
Seguir no caminho do som das folhas que se esbarram no momento.

Desejo seguir na perspectiva do tempo
Estranhar-me em mais um silencio
E sentir o frio do vento.

Quero me deturpar por ousadia
Superar a crise tardia
E desvendar-me mais um dia

Só assim a lua tem mais sentido, a estrela mais brilho, o sol mais calor e a vida mais cor.
Quero samba! Quero sambar!

(Ellen Caroline)

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Cansa

Cansa ouvir os próprios gritos
Segurar as próprias mãos, 
andar no mesmo ritmo,
com os mesmos pés.

Cansa ouvir o próprio choro,
sentir as mesmas lágrimas,
dançar na mesma melodia
sentir os mesmos medos.

Cansa ouvir os mesmos ruídos,
as mesmas queixas,
as repetidas dores,
os diversos amores
cansa viver vivendo!

(Ellen)

sábado, 6 de setembro de 2014

Brinde


Um brinde à estupidez cotidiana
Um brinde ao grito amordaçado que não sai
Um brinde aos desencontros
Um brinde às ameaças reacionárias
Um brinde à alienação
Um brinde des-brindado
Quebraram o copo!

Agora,
Um brinde para luta
Um brinde para toda a gente
Um brinde de classe
Um brinde com classe
O brinde da revolução

(Ellen Caroline)

domingo, 31 de agosto de 2014

Noite vazia

Fico transitando entre a loucura e a lucidez! 
Entre os meus vazios e cheios...
De um lado arremesso rosas vermelhas, 
do outro, deixo que elas se vaiam... àquelas lágrimas secas!
Em uma parede jogo tintas de esperança, 
do outro lado pinto a nostalgia!
Ouvi profundamente as letras, não consegui agregar à melodia,
foi assim que a noite se tornou vazia! 

(Ellen)

domingo, 22 de junho de 2014

Dilacerando-me

Dilacerado como uma pétala de rosa quando atingida por rajadas de vento
Afogado em lágrimas que não cessam e não se exteriorizam, mas derramam por dentro
Dilacerado pela má vontade de sorrir, pela dor que causa essa triste e doce saudade
Uma solidão que não se vai, e que o corta em pedaços dia após dia
É esse duplo sentimento que não se sente, que engraçado, sentimento mal sentido.
Dilacerado com a dor que perturba os sonhos, domina os pensamentos e não deixa prosseguir
Ah, se houvesse um único canto no mundo que acalmasse esse coração, seria lá que estaria, mesmo que desprendido do restante do corpo
Mas se esse não há, ficará aqui, guardado debaixo do cobertor, sobre os reflexos da luminária que acompanha a tentativa de dilacerar-me em livros para esquecer de quem fui e lembrar de quem quero ser. 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Desvairo

me sinto tão só que nem consigo preencher o vazio que me prende
me sinto tão preenchida que nem encontro a solidão...
desapercebida sigo na vida
desatenta a vida me segue
transbordo por inteira nessa mistura de emoções
transbordo por inteira por onde caminha meu coração
de que tanto que amo me sinto tão bem
de tanto que amo me sinto tão só
desse tanto todo...
se perfaz minha confusão
a eterna crise de viver
a eterna busca do preencher
que jamais vai cessar.

(Ellen)

Dizeres

queria escrever um poema pra dizer das sensações
mas palavras não conseguem 
poemas podem ir pra além do que se tem no papel 
sorrisos? lágrimas? 
quem sabe, 
poemas podem ser apenas
sem dizer e sem ser eles são
das cartas, dos bilhetes, dos recados
sinto como se ditos agora
sinto como permanentes
vou levando sem saber
vou levando pra sentir
vou levando pra não ser
simplesmente cansei de querer me entender