quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Lambuzar de vermelho


Essa relação da subjetividade,
E a maldade da individualidade (.)
Lambuzada a boca de desejos e prazer(ex),
De fazeres e dizeres (.)

Tampadas as pernas pelo tom vermelho,
E quanta(s) gente com as pernas destampadas?
Perdeu-se na intelectualidade a verdade sedimentada,
Ou a sede inventada, da intelectualidade formada?
Mais uma vez se lambuza no abuso do não feito,
Ou será o pensamento vacilante um efeito?
A besteira do entreter das palavras que nada parecem dizer,
Mais confortável entreter do que, de fato, dizer.
Registros:
De gentes que hoje latejam a parede do estômago (não têm o que comer)
De gentes que veem gentes morrer (nos morros, por negro ser)
Das gentes meninas, raparigas, sapecas (mulher é um “pecado” gemer)
Das gentes que trabalham (as máquinas engolem, como socorrer?)
Das gentes que choram (o riso foi tragado não se sabe pra onde correr).
Lambuzar-se, uma vez mais!
Lambuzar-se da vontade para além da subjetividade
Lambuzar-se, não por vaidade,
Lambuzar-se de vermelho
(pra transformar a realidade).

(Ellen Caroline)

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Boemia de sentimentos!


Com o coração meio frouxo
Se entrega pros sorrisos que chegam soltos.

Sem desconfiança
Arroja pra uma esperança.

Nunca retornam esses desejos,
Mas guarda na lembrança aqueles beijos.

Pra que mais que a entrega em braços enrolados?
Quando precisamos mesmo é de um corpo extasiado,
de uma troca abundante – mesmo que por instantes,
e por fim, do sono serenado.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Trabalhadora

Trabalhadora é assim,

Passa desapercebida
[...] Nas ruas [...]
Carrega nas várias sacolas
As dores de uma vida

Em uma delas a nostalgia dos abandonos
Noutra, as lembranças da infância sofrida
A mais pesada, a do machismo que a persegue
em todas as esquinas
No carrinho de mão a exploração,
juntado a toda a opressão

Trabalhadora é assim,

Com as sacolas cheias continua a caminhar
Passos firmes,
Olhos erguidos
Braços falidos
Abraços ainda aquecidos

Trabalhadora é assim,

Com as sacolas cheias continua a caminhar
Dentre elas algum sonho perdido,
Ao chegar em casa fica no fundo a procurar
Talvez de algum filho se formar
Ver o neto aniversariar
no fevereiro que vai brotar

Trabalhadora é assim,

Escuta as mesmas palavras de ordem
Trabalhe!! Trabalhe!
Mas não apenas na fábrica
Em casa, ao chegar, mais uma vez:
Trabalhe, trabalhe!
O Filho chora, o neto chame, o marido abusa

Trabalhadora é assim,

Ah, as trabalhadoras
A trabalhadora mulher mãe,
A minha mãe mulher trabalhadora.

Trabalhadora é assim,

Não luto pelo fim do machismo só na minha vida,
Luto pelo fim do machismo na vida de todas as trabalhadoras, mulheres, mães.

Não luto pelo fim da sociedade de classe pelo simples fim da minha exploração,
Luto pelo fim da sociedade de classe por toda classe, com toda classe, sendo classe.

Luto pelo fim dessa mão dupla de opressão e exploração,
Luto para que as trabalhadoras carreguem em suas sacolas
muitos sonhos
Luto sim, por uma sociedade sem exploração.

Dedico a ti minha mãe, e todas as Joceli(s), representando todas as trabalhadoras e trabalhadores do mundo que ão de se unir para essa sociedade mudar!

(Ellen Caroline)

terça-feira, 21 de julho de 2015

24 em Sanca

Desses 24 que completei no meio do debate
Ouvia palavras de ordem, as pessoas iam pro embate
Contra os corte, queremos condições de trabalho
Era o que dizíamos nós!
Faixas, cartas, revolta!
Estamos ou não indignados?!
A voz da bonita gente ecoava: chega desse descaso!

Assim se completa mais um ano,
A pergunta: o que eu fiz até os 24?
No meio do caos que está colocado?
Nesse vai e vem de emoções,
sentia o amor de São Carlos!

Confusa demasiada, só podia entender:
Esses cortes temos que reverter.
Assim completei mais um ano:
Indignada com o mundo
Compartilhando os sonhos
Com esperança
Cheia de bonita gente: as de longe e as de perto
Com o coração transbordando,
perdendo uns pedaços no meio dos percalços,
Mirando a luta em todos os passos.  

(Ellen Caroline).

sábado, 20 de junho de 2015

Canto meu!

Gosto de olhar pro lado,
Me impressionar com Che e Frida Kahlo
E com a vaidade dos poemas esparramados,
Com traços decifrados,
Que falam de viver nesse quarto.

Me agrada olhar a pilha ao lado
Tem um tanto do que quero aprender
E depois de confusa demasiada
Me deixa Neruda pra ajudar a entender.

Sinto prazer em olhar pra frente
Miro flores que lembram romances
Vejo o verde e sinto o sol
A lua e nenhum farol.

À esquerda: tudo que amassei e depois você.
O espelho que saca meu sorriso
Meu olhar sacana
E um gesto convencido.


Atrás?!
A cama bagunçada,
A vejo e a lembrança
das vezes que o corpo entra em chamas.
Deixo o cobertor
estirado, pra recordar do meu jeito depois da transa.

(Ellen Caroline)

Muito prazer, dois poetas

Lençóis do avesso
Se reviram como a noite
Suspiros notados,
Olhos apagados
Cair no sono acordado.
E delirar enquanto os braços,
Clamam por força e cuidado.

Fazer de desentendida
E te sacanear de desejo
Até o próximo beijo,
Ou deixar de ser comedida,
Já que tenho a faca e o queijo.

Tá bem.
De um jeito
Disfarçado e com suspiros
equivocados,
Te jogo pro lado só pra sentir
O toque dos teus passos.
Abraço teu sonho e traço
Como minha meta.
Sabe como é, fazer amor com
poeta...


(Ellen Caroline e Thálion Mibielli)

domingo, 24 de maio de 2015

Mujer!!

Sua luta é também a minha!
Me pego cotidianamente na tua força para seguir
Me sinto leve como o vento no teu abraço
Forte como uma torrente do teu lado


Toda a coragem que tenho foi com você que construí
Os limites que superei contigo aprendi
Mais que mãe, és a
minha mulher guerreira. 

Se hoje os meus sonhos são coletivos
É porque na humildade do teu eu me permitiu olhar pro lado e perceber o outro.
Se hoje amo intensamente, é porque me proporcionasse essa intensidade
Se vivo a flor da pele é porque me destes a sensibilidade.
Se acredito em revolução é porque me mostrasse a falta de sanidade nessa sociedade!

Tu, toda poesia!
A revolucionária cotidiana.
O orgulho dos meus dias!

(Ellen Caroline)